2007-11-02

Toots Thielemans

Se bem que existam instrumentos que parecem ter sido talhados para o jazz como o trompete , o sax ou o piano , o jazz é uma arte aberta a todos os instrumentos , exemplos da harpa de Alice Coltrane , o violino de Jean Luc Ponty , o bandolim de Bela Fleck ou as diferentes percussões artesanais de Náná de Vasconcelos , mas talvez uma das mais radicais adaptações seja mesmo a harmónica de Toots Thielemans

Nasceu na Bélgica , Bruxelas , a 29 de Abril de 1922 , começou a estudar acordeão aos 3 anos , mas foi como guitarrista que começou a construir a sua reputação , só aos 17 anos começou a tocar harmónica .
Tocou ao lado de Charlie Parker no Paris jazz Festival de 1949 , acompanhou a orquestra de Benny Goodman no tour da Europa em 1950 , fez parte do sexteto de George Shearing como guitarrista , tocou com toda a fina nata do jazz .



Apesar de ser um instrumento vulgarizado nos blues , as exigencias dos blues construidos sobre 3 notas , recorrendo vulgarmente e escalas pentagonicas e apoiando-sem-se em 3 ou 4 tipos de diferentes compassos , não podem ser comparadas ás do jazz onde as escalas são bem mais complexas , as melodias mais elaboradas e os compassos podem ser bastante complicados .
Poucos ou mais nenhum musico existe que se tenha imposto num meio tão dificil e selecionado com uma simples harmonica .



Espero que este tipo de afirmações não resulte em mais acusações de que considero os blues como um filho menor do jazz e aproveito para dizer que não considero o jazz superior ou inferior a qualquer outro estilo musical ,
embora acredite que regra geral a qualidade dos musicos de jazz é superior ao que encontramos noutros estilos , comparavel aos musicos classicos , e não posso deixar também de o dizer , considero-os musicos mais sérios e dedicados ao seu trabalho e á musica em geral .
Pode parecer uma contradição mas adpta-se á minha concepção de arte , a função final da arte é impressionar , positiva ou negativamente , não considero que a arte seja qualificavél pelo grau de intelectualismo ou complexidade , mas pela capacidade de alterar os nossos estados espirituais , nem sequer acho correcto que esteja sujeita a classificações ou comparações , a sua finalidade não é expor virtuosismos mas alterar a nossa concepção do mundo , se o fizer com a qualidade de Da Vinci tanto melhor , se o fizer com a simplicidade de Miró , sinceramente não vejo outra diferença que as determinantes do nosso proprio gosto pessoal .
Deixem-me por isto doutra forma , que me pode bem interessar todo o "savoir faire" aplicado no fois gras ou a "finesse" do caviar se gostar mais do presunto ?
Portanto não me levem a mal defender por vezes tão arduamente a minha dama , nem tirem daí conclusões precipitadas , os adjectivos são como os espelhos , só nos dão noções virtuais .



Passando á realidade , alguns temas de Toots Thielemans , alguns clássicos na companhia do fabuloso Bill Evans



Take 5

Body and Soul

Blue in Green


Com Joe Pass e Oscar Peterson o tema , por favor sem comentários , Autumn Leaves

Dois temas a solo , Round Midnight e The Windmills Of Your Mind

A voz de Shirley Horn e a harmonica crómática de Toots num dos temas mais bonitos e mais tocados do jazz , Beautiful Love

E para terminar dois tems que não fazem parte do jazz , La Mama que Charles Azenavour tão brilhantemente interpretava e uma obra inesquecivel daquele que mora no coração de todos nós , Light My Fire

Um bom fim de semana para todos , todos não , os adeptos do Belenenses estão excluidos , sei que é politicamente incorrecto , demonstra mau perder , falta de caractér , uma personalidade instavél e tendências psicopatas , mas ninguém é perfeito ...



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