2007-02-21

A Love Supreme


È sempre com desagrado que noticio o falecimento de musicos de jazz , apesar de o fazer a titulo de homenagem , ver este blog transformado num noticiário necrológico deprime-me, ficam os desejos que não tenha de o repetir tão cedo .

Dia 12 de janeiro deste ano faleceu Alice McLeod vitima de insuficiencia cardio-vascular e respiratória , perdendo assim o jazz o terceiro membro da familia Coltrane , depois dum acidente rodoviario ter tirado a vida a John Coltrane Jr em 1982 .

Existe uma ideia entre os amadores de jazz menos informados que Alice McLeod era uma pianista vulgar ou menos , que chegou á banda de Coltrane mais por afinidades familiares que por merito proprio , o que não é de forma alguma correcto .
Alice McLeod nascida em Detroit a 27 de agosto de 1937 , teve formação clássica de piano que começou a estudar aos 7 anos , a sua iniciação no jazz , mais propriamente no Bebop foi pela mão de Bud Powell com quem foi estudar para Paris em 1959 e acompanhou musicos como Kenny Burrell , Lucky Thompson e Yussef Lateef antes do concerto no Birdland com o Vibrafonista Terry Gibbs onde conheceu John Coltrane no ano de 62-63 . Casar-se-ie com ele no ano de 1965 e no mesmo ano entraria para a banda substituindo McCoy Tyner .

Uma história de amor que o proprio Coltrane defeniria como « A Love Supreme » ,titulo que daria o nome a uma das suas obras e que infelizmente duraria pouco mais de 2 anos até á morte prematura do saxofonista em 1967 .
Alice preferiu sempre servir musicalmente a banda do que expor a sua personalidade musical , a quase ausencia de solos e a forma despercebida como se fundia na musica terão de algum modo contribuido para mistificar a ideia de que tratava duma pianista vulgar , ideia facilmente desmontada pela analise obras posteriores com musicos como Pharao Sanders , Joe Henderson , Frank Lowe ou até Carlos Santana , onde não só encontramos uma excelente pianista como uma eximia tocadora de arpa , o tema   Blue Nile  demonstra-o .
Nos ultimos anos pudemos ver alguns concertos de Alice Coltrane numa banda também integrada pelos seus 2 filhos Ravi and Oran , ambos saxofonistas , dois quais foram editados alguns albuns LIVE , mas o projecto principal era sem duvida ligado á meditação oriental no «asrham» que fundou na California , criando e tocando fundamentalmente musica de meditação.

O pouco tempo que o casal passou junto foi bastante aproveitado , como se de
alguma forma sentissem que iria durar pouco , e produziu para além de tres filhos também 4 albuns , Infinity , Live at the Village Vangurad Again , Live in Japan e Expression .

Ficam os sinceros desejos que Alice e John Coltrane possam agora reeditar por toda a eternidade o Love Supreme .

2 Comentários:

Às 16:52 , Blogger Talk Talk disse...

Olá Ad! como vai isso?

Olha, por tua causa (ehehehe) ando com Miles Davis no carro... a minha mulher é que se anda a queixar, ainda está pouco sensivel ao Jazz!

Um abraço.

 
Às 23:08 , Blogger Suga_Mentes disse...

Então é por isso que ultimamente ando com as orelhas tão vermelhas ...
O jazz pode ser bastante incomodativo quando nao estamos receptivos , mas se a começares por lhe fazeres ouvir o Round Midnight , Kind of Blue e baladas do genero , as coisas mudam , sabes como são as meninas , demora sempre um bocadito a quebrar a frieza inicial .
Um grnade abraço , um bom fim de semana , felicidades
quebrar aquela frieza

 

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