2007-01-16

John Coltrane


     Considerado pela maioria dos criticos como o maior jazzmen depois de Charlie Parker , John Williams Coltrane , nasceu a 23 Setembro de 1926 em Hamlet , Carolina do Norte .


      Em setembro de 1955 , Miles convida-o para integrar o quinteto formado por Red Garland (piano), Cannonball Adderley (sax) , Paul Chambers (contrabaixo) e Miles , que ficará na memória como um dos quintetos mais revolucionários e proliferos dos anos 50 , onde todos os elementos ilustravam concepções novas que eram percussoras junto dos jovens musicos mais audaciosos . Aí a sua reputação seria de tal forma firmada , que quando em 1957 o quinteto se separa , será outro gigante a solicitar a sua colaboração , Thelonius Monk , cujas ideias revolucionarias influenciariam fortemente Coltrane . Juntos iriam obter franco sucesso actuando no Five Spot Café , preludio de uma intensa actividade nos estudios da Prestige .



Dois tems do album Soultrane de 1958 , ainda do perido Hard Bop
Good Baite
Theme for Erine





Em 1958 aceita o lugar de terceira voz melodica no sexteto de Davis ,acompanha-o em digressão pela Europa , onde o público atordoado descobre um Coltrane muito diferente do que os discos tinham revelado ,tempestuoso , agressivo , lançado perdidamente numa especie de descida alucinada aos infernos . Muitos ficaram escandalizados com tamanha profanação , desconhecendo que os anos 70 lhes reservaria muitas novas ocasiões para sufocarem .



Incrivelmente , apenas 3 anos mais tarde , 1961 , John Coltrane soaria assim , na companhia de Eric Dolphy no concerto de Stockholm
Impressions
Delilah







      Habituados nos anos 55 a 60 a reconhecerem em Trane um Hard-Booper proximo de Sonny Rollins, mas mostrando uma veemencia e impaciencia consideraveis , cujas frases tensas , á beira da ruptura , sonoridade densa , fortemente timbrada e imcomparavelmente incisiva , atribuiam á sua imaturidade esta necessidade sem urgencia aparente , de saltar bruscamente para os agudos ou mergulhar nos graves , perdoavam-lhe pela compensação das ascenções liricas , frases robustas e seguras onde se manifestava uma fervente simplicidade de inspiração . Admiravam-lhe a continuidade da inspiração , a vitalidade do fraseado , a mordacidade e franqueza da sua sonoridade . Esperava-se que o tempo tornasse sensato o jovem musico que por vezes se deixava levar demasiado longe pelos seus entusiamos .





Uma interpretação majestosa de Round Midnight , na companhia de Miles Davis
Round Midnight




      Tal não aconteceria , em vez de corrigir aquilo que se considerava serem os seus defeitos , deixou que estes invadissem e colonizassem a totalidade do seu discurso . O que se pensava serem efeitos parasitarios , mesmo falhas ivoluntarias , provou-se ser o essencial da sua arte . Infelizamente , nenhum disco viria a conservar a marca do novo estilo daquele a quem já chamavam "o jovem encolerizado" . Era por ocasião das actuações publicas do sexteto que se mostrava mais arrebatado , afrontando o furor das plateias frustadas nos seus hábitos queridos . Perante esta tumultuosa agressão sonora ficavam obrigatoriamente nus , desarmados , vulneraveis .





O tema My Favotite Things usado na banda sonora de Musica no Coração
My Favorite Things


      O swing , que tinha servido de padrão a varias geraçoes parecia não o preocupar , desprezando a exigencia da regularidade ritmica , defenia uma nova maneira de swingar na qual era evitada toda e qualquer relação
direta com a infra-estrutura do tempo , quebrava os moldes tradicionais , permitindo espandir uma arquirtectura de geometrias turbulentas .










A linha melódica , dificil (senão impossivel) de cantar ou reter , gritante na confusão de um labirinto permanentemente restruturado , era frenética , parecia não aceitar outra lógica que a da subjectividade .
      Tal atitude punha em causa o estatuto jazzico do lirismo , esta desmodelização anunciava a morte da nota como unidade significativa e um defunto compasso . Tal subversão melódica baseada numa ardente explosão de acordes e num permanente recurso ás frases e quadruplas colcheias impunha uma relação nova entre a produção e a comtemplação .









Mais dois temas de John Coltrane
Blue Train
Naima




      Esta atitude selvagem e clandestina dificultava a integração num grupo cujo lider tinha também concepções muito precisas , igualmente
revolucionarias , mas menos eriçadas , assim , é com naturalidade que forma em 1960 o seu próprio quarteto com McCoy Tyner no piano , Steve Davis no contrabaixo (substituido mais tarde por Art Davis e posteriormente Reggie Workman e Jimmy Garison ) , e o baterista Elvin Jones . Impressionado com as experiencias de Ornette Coleman e Eric Dolphy (com quem vira a fazer equipa) , abraça então a causa da vanguarda .







No entanto a sua arte irá renunciar em parte á agressividade , as linhas melodicas tornar-se-ao mais sedutoras , as sonoridades mais serenas . Abandona a exploração furiosa dos acordes em troca duma abordagem modal da improvisação . Neste ponto , como Coltrane reconhecerá , a influencia de Ravi Shankar e da citra , levarão a sua musica ao habito de se exprimir prolongadamente , até ter atingido um equilibrio entre a emoção , a ideia e o verbo . Juntar-se-lhe-ão influencias africanas latentes no uso das gamas pentatónicas .








      Quando o publico se parecia aclimatizar á sua arte e aceitá-la sem reservas , prescinde da sua propria beleza , repudiando o conforto , lança contra o seu culto as proprias blasfémias , e em 1966 , influenciado pela New Thing (de que fora um dos inspiradores) , dissolve a banda e com a sua esposa Alice McLeod , Rashid Ali e Pharaoh sanders , recomeçou uma nova aventura sonora . Poucos são os homens , na arte ou qualquer outro campo , capazes duma revolução , muitos poucos conseguiram á imagem de Coltrane , levar a cabo duas revoluções em menos de 10 anos .




























Texto inspirada na obra Jazz Moderno de Henri Renaud

3 Comentários:

Às 01:23 , Blogger P. Guerreiro disse...

Round Midnight, para ouvir de noite, pela noite dentro. Não sei porquê mas gosto de imaginar que o trompete do miles (nesta música) é a voz de uma mulher, pelos agudos sofridos, quase gritos. Eu gosto muito desse album...Gosto de o ouvir de noite, de dia não é a mesma coisa.

Um abraço e continua...

 
Às 21:39 , Blogger Autumn Leaves disse...

Este comentário foi removido pelo autor.

 
Às 21:43 , Blogger Suga_Mentes disse...

Por acaso não conheço nenhuma versão cantada no femenino , conheço uma Bobby Mc Ferrin , outra dum album
do Monk com o Miles também cantada por um dos musicos , aposto que não era o Miles , mas nao sei qual dos musicos canta , agora tou a pensar , é estranho , o tema mais gravado da historia do jaaz e nao conheço nenhuma versao numa voz femenina .

 

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